O emprego não desaparece: ele se transforma – Capítulo 2
Quando falamos sobre inteligência artificial e empregos, existe uma tendência natural de imaginar dois extremos.
De um lado, pessoas trabalhando.
Do outro, máquinas assumindo seus lugares.
Entretanto, a transformação do trabalho provavelmente será muito mais complexa.
A Organização Internacional do Trabalho estima que aproximadamente um em cada quatro trabalhadores no mundo exerce uma ocupação com algum grau de exposição à inteligência artificial generativa.
Isso não significa que um em cada quatro empregos desaparecerá.
Significa que as atividades realizadas dentro dessas profissões poderão mudar.
Por isso, entender como a inteligência artificial transforma o emprego se tornou uma questão estratégica para empresas, profissionais e principalmente para a área de Recursos Humanos.
Algumas vagas realmente poderão diminuir
Precisamos reconhecer que determinadas atividades tendem a enfrentar maior pressão com o avanço da automação e da inteligência artificial.
Principalmente aquelas que apresentam características como:
- tarefas altamente repetitivas;
- processos previsíveis;
- atividades padronizadas;
- grande volume de processamento de informações;
- baixa necessidade de julgamento humano;
- pouca interação social ou tomada de decisão complexa.
Nesse contexto, atividades administrativas básicas, processamento de documentos, digitação, determinadas rotinas contábeis, atendimento inicial e algumas funções operacionais apresentam maior possibilidade de automação.
No entanto, existe um ponto ainda mais importante nessa discussão.
Quem está começando a carreira pode sentir primeiro
Pesquisas recentes começam a identificar um fenômeno que merece atenção das empresas.
A inteligência artificial pode afetar principalmente alguns cargos utilizados historicamente como porta de entrada para o mercado de trabalho.
Essas posições permitem que jovens profissionais aprendam processos básicos, desenvolvam conhecimento e construam suas primeiras experiências.
Porém, se grande parte dessas atividades entrar em processos automatizados, surge uma pergunta estratégica:
Como desenvolveremos os profissionais experientes de amanhã se eliminarmos todas as funções utilizadas para formar os profissionais iniciantes de hoje?
Essa questão merece atenção.
O desafio da formação profissional
Imagine uma empresa que deixa de contratar assistentes porque a inteligência artificial executa grande parte das atividades básicas.
Inicialmente, a organização pode alcançar um ganho de produtividade.
Entretanto, alguns anos depois, essa mesma empresa pode descobrir que possui menos profissionais preparados para ocupar posições de analistas, especialistas e gestores.
Portanto, a discussão sobre inteligência artificial e empregos precisa considerar não apenas a estrutura atual.
Ela também precisa considerar a formação da próxima geração de profissionais.
Nesse cenário, o RH terá uma função cada vez mais estratégica.
A empresa precisará identificar quais competências possui, quais competências perderão relevância e quais novas capacidades precisará desenvolver.
Um processo estruturado de Treinamento e Desenvolvimento pode ajudar a preparar profissionais para essa transição.
Requalificar será tão importante quanto contratar
Uma das grandes estratégias empresariais dos próximos anos será o desenvolvimento de novas competências.
O profissional operacional poderá aprender a controlar sistemas automatizados.
O assistente poderá evoluir para analista.
O profissional administrativo poderá atuar na melhoria de processos.
O atendimento poderá migrar para a experiência do cliente.
Ao mesmo tempo, a inteligência artificial poderá realizar determinadas análises enquanto os profissionais passam a interpretar informações e tomar decisões.
Esse movimento recebe dois nomes importantes: reskilling e upskilling.
O que é reskilling?
Reskilling significa preparar um profissional para desempenhar uma nova função.
Nesse caso, a empresa identifica uma mudança nas necessidades do negócio e desenvolve novas competências para que o colaborador possa assumir outra atividade.
Por exemplo, um profissional que realiza tarefas administrativas repetitivas pode desenvolver conhecimentos para atuar na análise de processos ou no acompanhamento de sistemas automatizados.
O que é upskilling?
Upskilling significa desenvolver novas competências para que o profissional continue evoluindo dentro da própria atividade.
Assim, o colaborador amplia seus conhecimentos e aumenta sua capacidade de gerar resultados.
Um analista, por exemplo, pode desenvolver competências em análise de dados, automação ou utilização de ferramentas de inteligência artificial sem necessariamente mudar de profissão.
O RH terá papel estratégico nessa transformação
As empresas que desejam acompanhar a transformação tecnológica precisam olhar para as pessoas com a mesma atenção dedicada à tecnologia.
Afinal, adquirir uma nova ferramenta não garante que a equipe saiba utilizá-la.
Por isso, o RH precisa ajudar a empresa a responder perguntas importantes:
- Quais funções sofrerão maior impacto?
- Quais atividades podem receber automação?
- Quais competências ganharão importância?
- Quais profissionais podem assumir novas responsabilidades?
- Quais treinamentos serão necessários?
- Como preparar as lideranças para essa mudança?
Esse trabalho exige planejamento.
Além disso, exige uma visão integrada entre tecnologia, pessoas e estratégia empresarial.
Tecnologia moderna precisa de pessoas preparadas
Empresas que entenderem esse movimento poderão reduzir um dos grandes riscos da transformação tecnológica:
possuir tecnologia moderna e pessoas despreparadas para utilizá-la.
Por outro lado, organizações que investem no desenvolvimento das equipes conseguem criar melhores condições para aproveitar as novas ferramentas.
Nesse processo, Capacitação e Treinamento pode contribuir para preparar profissionais e equipes diante das novas demandas do mercado.
Da mesma forma, a liderança precisa acompanhar essa transformação.
Gestores precisam orientar equipes, reorganizar atividades, identificar novos talentos e apoiar profissionais durante os períodos de mudança.
Por isso, o Desenvolvimento Humano e Treinamento de Lideranças também ganha importância nesse cenário.
O futuro do trabalho combina tecnologia e desenvolvimento humano
A inteligência artificial poderá transformar muitas atividades.
Algumas funções podem diminuir.
Outras podem surgir.
Além disso, muitas profissões provavelmente continuarão existindo, mas com novas responsabilidades e novas ferramentas.
Por isso, o futuro não pertencerá apenas às empresas que possuem tecnologia.
Pertencerá às organizações que conseguirem combinar tecnologia, conhecimento e desenvolvimento humano.
A grande vantagem competitiva poderá estar justamente na capacidade de preparar pessoas para trabalhar com novas tecnologias.
O desafio não é apenas automatizar
Automatizar uma tarefa pode gerar produtividade.
Porém, transformar o trabalho exige uma visão mais ampla.
A empresa precisa analisar processos, preparar profissionais, desenvolver lideranças e criar oportunidades para que as pessoas acompanhem as mudanças.
Nesse sentido, Consultoria de RH pode apoiar organizações na estruturação de processos de gestão de pessoas alinhados às novas necessidades do negócio.
Afinal, a transformação tecnológica acontece dentro das empresas, mas quem conduz essa transformação são as pessoas.
Continue a série
No próximo capítulo, vamos avançar nessa discussão e entender quais competências humanas podem ganhar ainda mais valor em um mercado de trabalho cada vez mais influenciado pela inteligência artificial.
Continue para o Capítulo 3 e descubra por que desenvolver pessoas pode se tornar uma das principais estratégias para empresas que desejam crescer em um cenário de transformação tecnológica.





